Você sabe a diferença entre a agroecologia e a agricultura convencional?

Você sabe a diferença entre a agroecologia e a agricultura convencional?

Muitas pessoas tendem a achar que o termo “orgânico” representa uma moda ou tendência ou até se refere a algo relacionado aos  hippies e outro movimentos do tipo, mas o que elas esquecem é que o plantio orgânico, na verdade, é a forma tradicional de agricultura. A agricultura convencional tornou-se convencional para os países industrializados após a “revolução verde” dos anos 1950 e 60. Este período viu o desenvolvimento de novas variedades de sementes e o uso maciço de fertilizantes e irrigação para produzir rendimentos mais elevados.

 

A grande diferença entre a agricultura orgânica e a convencional é que a agricultura convencional depende de insumos químicos e uma abordagem altamente mecanizada, enquanto orgânicos são produzidos sobre forma natural.

 

Para facilitar, utilizamos as definições tradicionais de “convencional” e “orgânico” aos métodos de plantio para explicar as diferenças, no entanto, uma abordagem alternativa para a agricultura industrial que está ganhando apoio é “agricultura agroecológica”. Esta é uma maneira de cultivar alimentos que promove o crescimento de ecossistemas, ao invés de destruí-los . Em vez de pulverizar produtos químicos para se livrar das pragas, se cultiva plantas que atraem insetos benéficos. Em vez de aplicar fertilizantes com base em petróleo no solo, o que destrói a capacidade do solo de se regenerar, a técnica consiste em atar os campos com leguminosas, o que naturalmente ajuda a fixar o nitrogênio no solo. Esta abordagem se mostra promissora para o futuro dos alimentos.

 

A agricultura convencional pode fazer uso de sementes geneticamente modificadas. Sementes transgênicas tiveram sua composição genética alterada em um laboratório para criar alimentos que têm certas características desejáveis, tais como vegetais que tem uma vida mais longa, que resistem a climas muito frios e/ou são resistentes a pragas. O uso de sementes transgênicas é uma questão controversa, porque estamos brincando com a natureza. Os impactos dessas sementes no meio-ambiente e na saúde são difíceis de prever, e sem sistemas de monitorização adequados em vigor, podem haver problemas que ainda não temos consciência.

 

Os potenciais problemas ambientais da utilização de culturas geneticamente modificadas:

 

  • Cultivos resistentes a insetos são formulados para produzir uma toxina que mata insetos-praga. Estas culturas podem matar outros organismos não-alvo, que podem ter um impacto desestabilizador sobre o ecossistema local.
  • O uso de culturas geneticamente modificadas ameaça a biodiversidade das variedades de alimentos cultivados.
  • Culturas tolerantes a herbicidas são produzidas de modo que todas as outras ervas daninhas pulverizadas são mortas com exceção da colheita. Isto promove o uso de produtos químicos na agricultura que leva a poluição do solo e da água.
  • Outro ponto polêmico associada às sementes transgênicas é a possibilidade de grandes agroindústrias, impulsionadas pelo lucro, possuírem patentes sobre a natureza e ter o controle cada vez maior sobre a nossa oferta de alimentos. Quanto mais sementes transgênicas são usadas, mais a nossa saúde e o meio ambiente estarão nas mãos de grandes corporações.
  • Os agricultores que usam as sementes geneticamente modificadas não são permitidos a guardar suas sementes e, se forem pegos fazendo isso, podem ser processados pelo agronegócio que produz a semente. Esta abordagem assegura renda anual regular para o agronegócio, já que  agricultores são obrigados a comprar novas sementes a cada safra.

A agricultura orgânica não permite o uso de sementes geneticamente modificadas e requer sementes cultivadas naturalmente. Os agricultores orgânicos, muitas vezes, guardam sementes de culturas anteriores e utilizam variedades de sementes raras como as PANCS – Plantas Não-Convencionais, preservando a biodiversidade do nosso alimento.

 

A agricultura convencional está depredando o nosso solo, acabando com a biodiversidade do nosso planeta, poluíndo as águas e o ar, fazendo agricultures reféns de grandes corporações, afetando a nossa saúde e muito mais! Na dúvida, reflita o seguinte: se o agricultor tem que se cobrir com uma roupa especial para evitar o contato com o veneno que está colocando no plantio durante o cultivo, será que realmente é seguro pro meio-ambiente e pro nosso consumo?

 

Assista o vídeo da campanha Cresça que resume as diferenças entre a agricultura convencional e a agroecológica e opte por orgânicos sempre que possível. Dessa maneira apoiaremos a economia local, cuidaremos do planeta e ficaremos cada vez mais saudáveis. Só assim podemos prosperar por completo.

 

Fontes

 

  • Patel, R, 2009, ‘Stuffed & Starved: Markets, Power and the Hidden Battle for the World Food System’ Great Britain, p.306.
  • Union of Concerned Scientists, 2003, ‘Environmental effects of Genetically Modified Food Crops’ 2003, www.ucsusa.org.
  • Greenpeace, 2008, ‘Environmental and health impacts of GMOs: the evidence’ http://www.greenpeace.org/eu-unit/press-centre/policy-papers-briefings/environmental-and-healthimpac?mode=send.
  • Food Inc. Movie 2008, documentary, Magnolia Pictures [US]
  • Organic Sceptics, http://www.sustainabletable.org.au/