Conheça Anne-Sophie, bióloga, doutora, mestre cuca crudivegana e permacultora

Conheça Anne-Sophie, bióloga, doutora, mestre cuca crudivegana e permacultora

Eu sou Anne-Sophie Bertrand, nascida na França, passei 20 anos lá. Sou bióloga, doutora, mestre cuca crudivegana e adepta de uma vida seguindo os conceitos permaculturais. O que é permacultura? É amplo! Trata-se de uma cultura que engloba métodos holísticos para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis. A permacultura é uma filosofia de trabalhar com, e não contra a natureza; de observação prolongada e pensativa em vez de trabalho prolongado e impensado, e de olhar para plantas e animais em todas as suas funções, em vez de tratar qualquer área como um sistema único. Em outros termos, para mim, somos UM com o planeta e todas as formas de vida. Para mim, inteligência é trabalhar em simbiose com a Vida e… não tentar “acabar com a raça dela” como a nossa sociedade tenta fazer em vão, com a sua neura de bactérias, de vírus e de criaturas caracterizadas como indesejáveis. Faz muito tempo (de mais agora!!!) que achamos que a nossa arrogância química era a resposta para tudo o que era percebido como um problema (pragas, doenças, etc.). Entre nos seja dito: somos mais bactérias do que células humanas, então vale relaxar em relação às bactérias se não quer acabar com a nossa raça também!! Mas, estou digressando. Voltando…

moi à 10 ansNasci com pele mais escura do que o resto da minha família, logo, sofri o síndrome de ser “a filha do leiteiro” a minha infância toda, e sempre gostei de me refugiar no meu universo, que cabia numa bolsinha onde havia mil e um segredos que significam tanto para uma criança, mas o quê não podia falta era meu caderno, meu lápis e a borracha pois eu amava desenhar. Sentia que no desenho, as possibilidades eram tão infinitas quanto na minha imaginação.

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Minha mãe percebeu isso jovem e me presenteava com paletas de lápis de cores em degradés gigantescos, me permitindo alcançar misturas muito finas, eu ficava olhando para aquelas paletas de cores, era uma sensação muito gostosa para mim. Assim, como eu não tinha direito a muita coisa, sob o pretexto de muita proteção, acabei crescendo meio que só. Eu tinha meus dois irmãos mais velhos, que me amavam, e também me usaram como cobaia para ver o que dá o carrinho de bebê na parede ou o quê dá o cachorrinho de madeira jogado na cabeça dela, então, tenho várias cicatrizes na cabeça, mas eu não me importava. Sempre fui meio menino mesmo.

Desde bebê, tive tumores na região do pescoço, e minha vida foi regrada por intervenções cirúrgicas muito pesadas. Como eu era uma criança alérgica, eles me dopavam além da conta e demorava horas para conseguir “voltar para cá”. Sofri muiiiiito nas mãos dos médicos e cirurgiões. Eles ficavam muito irritados comigo pois “não entendiam” o que passava comigo, e eles de me mandar fazer testes de sangue (me lembro ter tido 14 testes em um mês uma determinada vez), biopsias, IRM, enfim, tive minha dose de hospital e testes medicais. E eles me arrancaram estruturas que eu nunca deixaria ninguém arrancar de nenhum outro ser humano pois é um crime contra o seu corpo: me arrancaram inúmeros linfonodos linfáticos, retrato (se é que precisava) da ignorância a mais absoluta desses jalecos brancos, depois de ter anunciado a fria sanção para a minha mãe, com eu de 9 anos ao lado, de que eu tinha o câncer das glândulas. O sistema linfático é provavelmente o sistema o mais importante do corpo humano nas tentativas de regaste de integridade física, e mesmo assim, é muito pouco conhecidos pelos profissionais da saúde. Assustador !! Ai, depois, quando percebiam que não era aquilo que achavam, falavam “é nosso dever prevenir os familiares do pior que pode acontecer”. Calculem… Enfim, ai fui vendo os absurdos. Chegaram a me arrancar minha parótida direita. É claro! Para quê se incomodar? Agora quando salivo eu transpiro de gotejar da bochecha direita, que elegância!! E resolveu? Nada! Continuei tendo tumores a cada tantos anos… Aos 9, aos 12, aos 15, aos 23… Parecia maldição!

Perdi toda minha sensibilidade na lateral direita durante 20 anos. É claro que não sentei me queixando, fui tentando resolver, cheguei a fazer injeção de ozônio no meu rosto, isso, foi fenomenal e resgatei bastante sensibilidade. Bom, continuo gotejando, mas isso é de menos…

Todo esse histórico deu luz à curandeira natureba que sou hoje! Sempre soube que devia haver um outro jeito e não era possível ter um corpo que não fosse superiormente desenhado e dotado de inteligência própria, mas esses pensamentos não eram muito populares e me valiam muita reprovação. Vi e sofri os limites da medicina mecanística muito cedo e sempre fui daquelas que fuça e vai ao fundo do conhecimento. Passei toda minha universidade de biologia na França pegando todos os livros de todos os temas e querendo chegar até o ponto que dizem “chegamos ao limite do nosso conhecimento atual”. Vi que não sabíamos de nada, eramos uma espécie muito arrogante ao meu ver.

Fui criada por babás do mundo inteiro, nunca tive o sentimento de pertencer a minha família, e a mentalidade francesa sempre me causava aborrecimento por eles “reclamarem de barriga cheia”. Sempre tive essa cabeça aberta sobre o mundo, principalmente a África, que me chamava pelas suas cores e seus sons. Um belo dia, eu estava preste a sair da França (sem olhar para trás), conheci um Professor de Evolução da Universidade Federal da Paraíba. Ele tinha uma queixa assumida por um amigo meu. Falamos uma noite inteira, me encantou esse modo de ver o mundo! Era tão diferente, esperançoso e alegre! Eu estava indo para a Califórnia para auxiliar uma doutoranda da UC de Berkeley nos pântanos da Baia de São Francisco para escrever minha monografia. Eu prometi que eu ia dar um pulo no Brasil antes de voltar para a França. É… Eu não tinha muita noção da viagem que isso representava mas o que eu tinha sentido ao contato desse ser me fez fazer essa viagem maluca. Ai, atravessei os EUA inteiros e cheguei em São Paulo, fui para Recife, onde veio me buscar. Cenas como “não paro a noite no sinaleiro pois é perigoso de mais”, o ar quente abafado do nordeste, música por tudo canto, ruas barulhentas, gente que não tinha nada, dançando, feliz faceira, esse verde da Mata Atlântica, os mercados com 5 tipos de laranja, o mesmo tanto de bananas, meu coração mal se continha de tanta paixão repentina!!! Vi que havia muita alegria, muita força de vontade, muita energia nesse lindo Brasil, eu não sabia nada dele. Mas me apaixonei como nunca eu tinha me apaixonada por nenhum lugar antes.

Na escola, eu sempre me mantive ao nível mínimo em cursos de história-geografia pois eu pensava: “para quê vou aprender esse monte de mentiras, e também vendo que o homem vive re-fazendo os mesmos erros?”. Nesses cursos, passavam batidos sobre a história dos indígenos no Brasil, ou a colonização, eles só falavam: o Brasil é a triangular econômica Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Brasília é a capital, mas na real, não é importante. Calculem. Eu achava tudo aquilo tão fútil!!

Compombaso passei muito tempo no hospital, e muito tempo desmaiada quimicamente, eu fui em outros planos e voltava com uma cabeça que não condizia minha jovem idade. As crianças me olhavam meio torto. Contribuiu para meu isolamento. Só que não me sentia só pois a Natureza era fonte de encantamento, me fornecia mil e uma oportunidades de me maravilhar da criação. E eu vivia, cercada de muitos animais, e eles eram meus grandes aliados, sempre. Pombas no ombro, gatinhos no meu colo, cachorros para brincar, e um pônei para passear comigo, inclusive no mar. Eu estava de boa com a Vida!!

 

Nessa altura do jogo, eu já era meio solitária, e fugia de tudo o que era associada à medicina tal como a conhecíamos: remédios, tratamentos e sobretudo: cirurgias. Meus pais não sabiam, na época, não havia internet, e eles, na cegueira do medo, confiavam nas figuras de autoridade em matéria de saúde: os jalecos brancos. Entregaram seus filhos. Após 9 cirurgias bem bárbaras em seus três filhos em menos de 4 anos, a minha mãe começou a desconfiar e buscar as tais de benzedeiras. Final das contas, se os médicos não estão dando conta, alguém vai né. E não é que foi ali que parou essa espiral infernal na Indústria da doença? Dou graças a Deus todos os dias por minha mãe ter tido esse insight.

E eu, só fiquei explorando tudo o que eu tinha de acesso a informação. Em 1997, eu já tinha 17 anos, criei meu primeiro email, me lembro muito bem e foi ali que vi que íamos conseguir furar o véu da ignorância através as comunicações de massa.

Me recordo falar para a minha mãe que eu desejava para o mundo inteiro experimentar “doenças e viagens” pois eu via essas duas coisas como catalizadores de maturidade consciencial…

Daqui em diante, eu furei meus próprios véus de ignorância sem parar. Hoje em dia, continua ignorante quem quer, mas quem quer sair da ignorância tem muiiiiiito material e muitos recursos para fazê-lo. A minha saída de França foi essencial também para perceber o quão os dirigentes dos países ficam inventando regras e as aplicam sobre seus povos. Nunca fui de aceitar autoridade bruta e sem nexo. Tinha que fazer sentido para eu colaborar. Não mudei nada ! Ah esses irredutíveis íngidos ! rsrs

Na época, eu achava que se resolvia as coisas pela política, então eu ficava muito atenta aos debates. Na França, eles tomam mais cuidado do que no Brasil pois o povo teve acesso a mais educação então não engolhe qualquer balela. Logo vi que políticos eram marionetes, então me desinteressei. Vi que a evolução só ia passar pela própria evolução e pela organização de gente a fim de ver coisas acontecer. Então mergulhei no universo associativo e na investigação científica. Nesses universos também, eu pude ver que nem tudo é o que parece, e mesmo nesses universos de intuito louvável, há muita sujeira. Mas igual, me dediquei e fiz meu possível. Sempre vi a importância de cuidar e despertar a juventude, então eu criei minha própria ONG (menos confusão) e comecei a receber jovens do mundo inteiro e mostrar para eles o que era conservação da natureza na vida real. Mexi com a cabeça de inúmeras pessoas, sai fazendo oficinas nas favelas, nas escolas, nas comunidades, dei palestras no Canadá, nos EUA, no Brasil. Perdi a timidez que era fruta da minha criação isolada, e comecei a falar. Cai na real da nutrição em 2008. Tornei-me vegana da noite para o dia, quando percebi tamanha enganação. Fiquei insultada, fiquei injustiçada, fiquei revoltada. Depois disso, fiz inúmeras degustações e eventos para promover o veganismo, para abrir os olhos das pessoas, pois eu achava inaceitável tanto sofrimento desnecessário. Quer me chamar de ativista? Fique a vontade.

Sempre fui muito apaixonada, muito envolvida. Minha sensibilidade é grande, e já me causou muito sofrimento pois este mundo 3D não é nada fácil para quem sonha de um mundo de paz, harmonia e unicórnios!! Mas ela foi minha bússola, ela foi quem me motivou a zelar pela integridade dos meus sentimentos. E fui… Hoje, sou aquela pessoa. Incomodo com minha franqueza, com meu lado selvagem, com minha incapacidade em fingir. Sorry. Não faço por mal. Sou assim e assim seja. Tem muita gente que gosta igual. Principalmente quem está a fim de evoluir, pois não encho linguiça.

Levei meus estudos em conservação da natureza até longe. Recebi este mês o título de doutor em biologia e ecologia das alterações globais, estou honrada de poder ver tanto trabalho com reconhecimento acadêmico. Mas o meu legado é muito além. Hoje, gasto cada minuto de sobra que eu tenho para continuar me educando no sentido da preservação e resgate da saúde integral dos seres. Estudo mesmo, de mil e um ângulo diferentes, para garantir os fundamentos do meu conhecimento. Hoje entendo o que é fisiologia humana, muito além do que estudei na universidade na França, hoje entendo a fisiologia pela nutrição de verdade, a fisiologia pela física quântica, pelos trabalhos energéticos, pela conexão à Mãe Terra, e mesmo assim, sei que não sei de nada. Estudarei a minha vida toda, e pretendo usar cada pedacinho de conhecimento que eu conseguir juntar ao serviço de um mundo melhor, mais harmônico, e mais saudável.

Anne-Sophie Anjo da mesaQuero sempre ser aquela exploradora da Vida terrestre, com boa vontade, coração cheio e dedicação honesta. Quebrei a cara inúmeras vezes, a vida me lembrou a humildade quando a empolgação me fazia me achar, e continuo sendo confundida pelos mistérios da vida, mas estudo sem recesso, continuo juntando os pontos e as coisas que fazem cada dia mais sentido. Hoje me considero um servidor à serviço da criação de um mundo de luz e de paz. Que venha a 5D, eu estarei às ordens, com todo o que sou, todo o que faço, e sobretudo, todo o meu Amor.