Mapear, Transbordar, Trocar, Vender, Comprar, Doar, (Des)Construir: As PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais – e o Projeto Ka’a-eté

Mapear, Transbordar, Trocar, Vender, Comprar, Doar, (Des)Construir: As PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais – e o Projeto Ka’a-eté

Ka’a-eté a “Mata Importante”

No intuito de resgatar a sabedoria milenar de identificar os alimentos, sem que o mesmo esteja rotulado e embalado, nasce a intenção de mapear as PANCs.

Na união de muitas mentes pensantes surgiu um site incrível, de nome Ka’a-eté – Mata Importante.

Ka’a-eté traz no seu todo, o levante da da biodiversidade pela boca, o levante da preservação da mata, já que na mesma pode haver até 7 toneladas de alimentos riquíssimos em nutrientes, produzidos em perfeito equilíbrio. Utilizando a tecnologia apresenta o que sempre existiu: “As Plantas Alimentícias”, entretanto, no cenário atual onde é preferível envenena-las do que se alimentar delas, onde os saberes sobre foram se esvaindo no tempo, Ka’a-eté vem como uma ferramenta viva, ativa e de mudança.

 Uma das idéias defendidas pelo projeto, é a ideia de coletar, algo que soa estranho para muitos, mas que vai além dessa primeira impressão.  Marshall Sahlins, no seu artigo “A Sociedade Afluente Original” (The Original Affluent Society) com base em pesquisas, apresenta que os povos coletores trabalham em média  três horas por dia,  enquanto que o agricultor vizinho trabalha oito horas para o mesmo efeito.

O ato de coletar não se resume apenas ao usuário que vai saber a PANC mais próxima de si, através do mapeamento colaborativo, mas se expande principalmente ao produtor, que com a crescente demanda de consumidores, vai coletar muitas plantas que nasceram espontaneamente no se quintal, e isso é revolucionário, pedir por plantas que nascem espontaneamente é revolucionário, pois assim o produtor ao invés de meramente capinar ou passar veneno pra limpar o mato, gastando tempo, dinheiro e saúde, ele vai vender as plantas alimentícias que ali estavam, ganhando tempo, dinheiro e saúde. Propomos que ao invés de alimentar monoculturas mentais e alimentares, alimentemo-nos de uma mudança viva, saborosa, colorida e biodiversa. Com isso através de um web site, com uma base de conhecimento livre, Ka’a Eté ira formar uma rede viva entre plantas e pessoas.

Pois bem, até agora são mais de 40 plantas cadastradas, das quais a maioria nasce espontaneamente. O site contém dicas de identificação, informações nutricionais, usos, plantio, mapeamento colaborativo, e em breve muito será ascionado mais plantas.

Mas em fim, quais são as plantas que quermeos abordar?

Pretendemos abordar as “Plantas Alimentícias Não Convencionais”, isso é um termo que abrange uma quantia enorme de plantas. Algumas análises trazem a informação de que temos 26 mil espécies com potencial alimentício, incrível né?

Exemplos:

– Árvores das quais os frutos são subutilizados. Ex.: BUTIÁ.

– Plantas consumida em alguma região brasileira, mas subutilizada no restante. Ex.: ERVA MATE

– Plantas que nascem espontaneamente. Ex.: CAPUCHINHA. (Dessas, muitas estão no site)

-Planta usada com fins paisagísticos, além de ser comestível. Ex.:HIBISCO.

– Plantas de sabor e características incríveis, mas pouco cultivada. Ex.: MANGARITO.

PANCs é um mundo de sabor e cor ainda desconhecido pela maioria, é a biodiversidade pela boca, é o resgate da cultura alimentar local, de alimentos ancestrais, sabores, técnicas, sabedoria, é o resgate da natureza.

PANCs são as plantas da periferia; sucateadas, esquecidas e negligenciadas.

PANCs nascem no cimento, na brecha da rua, na casa da vó, na aldeia, no meio de monocultura, na praça, no jardim, na horta caseira, no terreno abandonado, nascem do teu lado, fica esperto!

São resistência e autonomia, tem nutrientes e propriedades medicinais. São vida, são vivas!

Caso não goste do sabor de uma ou outra, não te preocupe, tem muitas para experimentar.

Que tal então:

Coletar pra comer; Coletar pra plantar, Coletar pra doar, Coletar pra adubar, Coletar pra vender.

Mapear, Transbordar, Trocar, Vender, Comprar, Doar, (Des)Construir.

Assim iremos Preservar a Ka’a-eté, a “Mata Importante”.

Com carinho, equipe Ka’a-eté.

Milena, Relsi, Rosana, Vagner, Igor.

Site: https://kaaete.org/

Fanpage: https://www.facebook.com/kaaete/?fref=ts

Milena Vilma Ventre – Sonhadora utópica, ativista e estudante autônoma de permacultura e agroecologia, acredita que tudo pode ser mais vivo e alegre, por isso encontrou na permacultura e na agricultura ecológica um espaço de experimentações e transbordes de cores e vida. Carrega consigo alguns saberes culturais de sua família, por parte de mãe é neta de uma agricultora que alimentou muitas famílias com o trabalho diário e guerreiro no campo, pelo pai é neta de italianos que colhiam rotineiramente no quintal: aspargos; cogumelos; figos; olivas e uvas, entre outros alimentos deliciosos. Com 20 anos de idade, muita coragem e dedicação, estuda para simplificar os saberes, e mostrar que todos podemos saber sobre essa arte de plantar, alimentar e conviver: “AgriCultura”. Contrária ao fato de estar em uma cidade cinza, que põe dejetos na água, onde o ar é poluído e onde o alimento é envenenado, realiza ações práticas para ir quebrando esses paradigmas, para isso utiliza as bases da permacultura. Em sua casa toda água usada é tratada e transformada em biomassa, além de compostar os resíduos da família e de alguns estabelecimentos alimentícios próximos. Buscando sempre novos saberes e ações que rondam o mundo da autonomia. Atualmente trabalha no projeto Ka’a-eté, levando informações a diferentes lugares, principalmente sobre produção de alimentos, caminhando assim com as cheirosas mudas de medicinais, e as surpreendentes PANC’s (plantas alimentícias não convencionais) pelos lugares que passa, além de ser guardiã de sementes crioulas, pois acredita que a biodiversidade é a maior riqueza do planeta, por isso segue semeando sementes -biodiversas, coloridas e crioulas- para quem sabe despertar mentes!