Os Impactos da Criação de Animais em Escala Industrial: A sua refeição pode estar custando mais caro do que você imagina

Os Impactos da Criação de Animais em Escala Industrial: A sua refeição pode estar custando mais caro do que você imagina

Se alguém te falasse que o consumo de carne, ainda mais em excesso, é uma das maiores causas de devastação do planeta, você iria acreditar?

 

Não foi até recentemente, que alguns ambientalistas sugeriram que o consumo de carne pertence à mesma escala de importância que questões que chamam a atenção Amazon Watch, o Conservation International e o Greenpeace. No entanto, com o avanço da ciência ambiental, torna-se cada vez mais evidente que o apetite humano por carne de animais é uma força motriz por trás de praticamente todas as principais categorias que resultam em danos ambientais e ameaçam o futuro da humanidade – desmatamento, erosão, escassez de água potável, poluição atmosférica e aquática, alterações climáticas, perda de biodiversidade, injustiça social, desestabilização de comunidades e propagação de doenças.

 

Per capita, o consumo de carne mais do que duplicou no último meio século, mesmo enquanto a população mundial continua a crescer. Como resultado, a demanda global por carne aumentou 5 vezes, o que colocou pressão crescente sobre a disponibilidade de água, terra, ração, combustível, tratamento de resíduos e a maior parte de outros recursos limitados do planeta.

Vamos resumir aqui as principais categorias dos impactos ambientais que têm sido considerados essenciais para a sustentabilidade da civilização:

 

Aquecimento global

 

 

As Nações Unidas determinaram que a criação de gado e de outros animais para o abate gera mais gases de efeito estufa do que todos o veículos que emitem dióxido de carbono juntos, ou seja, gado polui mais que carros.

A pecuária e outras formas de criação para o abate são responsáveis por:

 

Enquanto o CO2 é, de um modo, responsável por metade das emissões (provocadas por seres humanos) de gases de efeito estufa desde a revolução industrial, metano e óxido nitroso (ambos os quais são liberados via processos digestivos naturais dos animais) são responsáveis por ⅓. Coletivamente, animais de criação são responsáveis por ⅕ da liberação desses gases e esse número não inclui as emissões que resultam do transporte deles. Estudos apontam que uma dieta centrada em carne é responsável por 7 vezes mais emissão de gases de efeito estufa do que uma dieta baseda em sementes, frutas e hortaliças.

 

Desmatamento

 

 

Até 2011, a indústria de criação de animais foi responsavel por 30% do uso da superfície terrestre do planeta – muito que tem sido desmatado para criar pastos. Por exemplo, cerca de 70% da área desmatada da Amazônia é explorada para a pastagem, resultando na destruição de ecossistemas frágeis e exacerbando o excesso de dióxido de carbono na atmosfera, porque ao contrário de árvores vivas, que capturam e armazenam CO2, arvores derrubadas liberam o gás.

Uma área terrestre equivalente a 7 campos de futebol é destruída na Amazônia a cada minuto. Para cada hamburger produzido proveniente de animais da floresta amazônia, aproximadamente 5 m² foram devastados.

 

 

Em 1990, o Programa Fome Mundial da Brown University calculou que as colheitas mundiais recentes, se distribuídas de forma equitativa, sem desvio de grãos para a alimentação do gado, poderia fornecer uma dieta vegetariana a 6 bilhões de pessoas, ao passo que uma dieta rica em carne como a de pessoas na nações mais ricas podiam suportar apenas 2,6 bilhões. Em outras palavras, com uma população de mais de 6 bilhões, isso significa que já estamos em consumo deficit de terra, com o déficit sendo “suprido” pela pesca de mais peixe dos oceanos, que, por sua vez, está acabando com espécies marítimas.

O desmatamento também contribui para a extinção de diversas espécies que vivem em florestas tropicais, além de causar a desertificação de dessas áreas em todo o mundo.

No curto prazo, a única forma de alimentar todas as pessoas do mundo, se continuarmos a comer carne na mesma taxa e/ou a população continuar crescendo como projetado, é eliminar mais florestas. De agora em diante, a questão de onde obtemos a nossa proteína, de animais ou plantas, tem implicações diretas a quanta floresta ainda temos para devastar.

 

 

 

Lixo, Poluição das Águas e Consumo de Água Potável

 

Muitos destes problemas são intensificados pelas ineficiências inerentes da indústria da pecuária. O processo de criação de animais para abate é muito menos eficiente do que a colheita direta das mesmas culturas para consumo humano. Estudos têm demonstrado que uma pessoa que vive exclusivamente de produtos de origem animal requer 10 vezes mais terra do que uma pessoa que planta seus próprios alimentos de origem vegetal.

 

De acordo com um relatório de 1997 pelo Comitê de Agricultura do Senado americano, os animais criados para abate produzem 130 vezes mais resíduos que toda a população humana. Nosso lixo é tratado quimicamente em plantas de saneamento, mas resíduos de origem animal não. Normalmente, ele é pulverizado sobre a terra e depois grande parte corre pra poluir as águas subterrâneas e córregos.

 

 

O mundo está caminhando para crescentes problemas de escassez e esgotamento de água potável e, até 2025, 64% da população mundial deverá começar a sentir os impactos.

 

A pecuária é um grande consumidor de água, respondendo por mais de 8% do uso global de água, principalmente para a irrigação de plantações. É, provavelmente, a maior fonte setorial da poluição da água, contribuindo para a eutrofização, a degradação dos recifes de coral, problemas de saúde humana, o surgimento de resistência aos antibióticos e muitos outros. As principais fontes de poluição são a partir de resíduos animais, antibióticos e hormônios, produtos químicos de curtumes, fertilizantes e pesticidas utilizados nas terras cultiváveis e sedimentos provenientes de pastagens erodidas.

 

 

Não encontramos números globais, mas nos Estados Unidos, estima-se que o gado é responsável por 55% da erosão e sedimentos nas terras cultiváveis, 37% da utilização de pesticidas, 50% do uso de antibiótico e um terço das cargas de nitrogênio e fósforo em recursos de água doce.

 

A pecuária afeta também a reposição de água doce através da compactação do solo, diminuindo a infiltração dos lençóis freáticos e a degradação das margens dos rios.


Enormes lagoas de resíduos ao ar livre, muitas vezes do tamanho de alguns campos de futebol, são propensos a vazamentos e derrames. Em 1995, uma lagoa de resíduos de porcos de 3 hectares na Carolina do Norte nos Estados Unidos estourou, derramando 95 milhões de litros de esterco em um rio próximo ao local.

 

 

Esse vazamento matou por volta de 10 milhões de peixes da região e interditou 147 mil hectares de zona costeira.

 

 

Em 2011, uma fazenda de porcos em Illinois nos Estados Unidos derramou 200 mil litros de esterco em um riacho, matando mais de 110 mil peixes.

 

Oceanos Saqueados

 

 

O apetite humano por frutos do mar está levando muitas espécies marinhas à extinção. De acordo com uma estimativa da Organização para Agricultura e Alimentação, mais de 70% das espécies de peixes do mundo ou são totalmente exploradas ou estão esgotadas. Pesquisadores advertem que todos os peixes podem ser extintos até o ano de 2048 se a sobrepesca continuar.

 

Com as novas tecnologias chegando até as peixarias, pequenos barcos de pesca estão se transformando em navios equipados com GPS e sonar que logo detectam grandes cardumes.

 

O tamanho das redes aumentaram significativamente e assim capturam tudo que está em seu alcance, inclusive outras espécies não-alvo como tartarugas, golfinhos, corais, entre outros, que acabam gravemente feridos e até mortos.

Erosão do Solo

 

Fazendas são a principal causa de erosão do solo, e essa erosão – solo misturado com resíduos de agrotóxicos e animais, leva diretamente ao assoreamento e poluição das bacias hidrográficas, reservatórios, lagos e oceanos.

Aproximadamente 40% das terras agrícolas do mundo estão seriamente degradadas, de acordo com cientistas do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar. A pecuária é responsável por cerca de 55% da erosão do solo e o solo está sendo exaurindo de 10 a 40 vezes a taxa que está sendo formado.

O Que Você Pode Fazer?

 

Hands on a globe — Image by © Royalty-Free/Corbis

 

De acordo com um estudo da Universidade de Chicago de 2006, mais ou menos 47% das calorias da dieta americana deriva de produtos de animais. Como a dieta brasileira atualmente reflete essa dieta ocidental americanizada, podemos dizer que aqui não deve ser muito diferente. Esse número equivale a quase 2 toneladas de emissão de CO2 por pessoa por ano. Para aqueles que amam um churrasco e deriva 50% das suas calorias da carne vermelha, tem em média uma pegada de carbono de mais de 3 toneladas ao ano.


Se essas pessoas reduzissem o seu consumo de carne e derivados pela metade, reduziria em quase 1 tonelada a sua pegada de carbono. Melhor ainda, se largasse completamente a carne e derivados, a redução de CO2 cairia em 2 toneladas.

 

 

Como dados brasileiros sobre esse assunto não são tão fáceis de achar, vou continuar baseando os cenários na população americana de quase 320 milhões de pessoas.

 

Se toda a população americana adotasse a segunda sem carne, ou seja 1 dia sem nada derivado de animais, as seguintes devastações ambientais seriam prevenidas:

 

  • 1 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera
  • 2,5 milhões de toneladas de solo em erosão
  • 4 milhões de toneladas de resíduos vindos de animais
  • 6,5 milhões de toneladas de emissão de amonia

 

Também conservaria os seguintes recursos:

 

    • 400 bilhões de litros de água potável
    • 700 milhões de quilos de grãos
    • 250 milhões de litros de gasolina
    • 30 toneladas de antibióticos

 

 

No mundo inteiro, animais de fazenda consomem aproximadamente 690 milhões de toneladas de grãos. De acordo com o bioeticista Peter Singer, se alimentassemos os 1,4 mil milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza com esses grãos, cada um deles seria fornecido cerca de 1 quilo e meio de grãos por dia – duas vezes a quantidade necessário para sobreviver.

 

No livro “The Life You Can Save” do Peter Singer, ele diz “ O mundo não está com falta de comida, o problema é que achamos uma maneira de consumir de 4 a 5 vezes mais do que seria possível consumindo direto dos grão que plantamos”.

 

Albert Einstein dizia o seguinte: “Nada beneficiaria mais a saúde humana e aumentaria mais as nossas chances de sobrevivência no planeta, como a evolução para uma dieta vegetariana”.

 

Faça a sua parte, reduza o seu consumo de carne e derivados e ajude a conservar o nosso planeta!